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Brasil Após ser demitido, professor faz videoaulas de biologia e vira fenômeno na internet

Após ser demitido, professor faz videoaulas de biologia e vira fenômeno na internet

Paulo Jubilut tem canal no YouTube com mais de 1 milhão de assinantes; ele criou uma empresa que vende pacotes de videoaulas.

Após ser demitido em 2011, o professor de biologia Paulo Jubilut, de 37 anos, nascido em Santos, no litoral de São Paulo, publicou algumas videoaulas na internet como legado. A ideia era explorar outros campos de trabalho. Para sua surpresa, a visualização foi muito grande e ele vislumbrou ali um novo negócio: ser professor na internet.

 

 

"Eu dava aula em um curso elitizado. Tinha uma aluna malcriada que havia tido problemas com uma professora. Ela fez uma piada grossa comigo, falei umas verdades para ela. Acontece que o pai dela é uma pessoa influente, ele ligou pro dono do cursinho e ameaçou um processo. A escola me demitiu logo em seguida”, lembra.

Formado em licenciatura e bacharelado de ciências biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jubilut começou a procurar trabalho em outras áreas, não só as ligadas à educação. Mas como os vídeos publicados na internet fizeram sucesso, e ele foi convidado pelo YouTube a criar um canal ensinando biologia. “Na época não sabia que dava para monetizar. Não tinha youtuber ainda. As videosaulas que existiam eram formais, e eu levei uma linguagem informal e humor no tempo que não existia o politicamente correto.”

Hoje ele é referência do ensino de biologia na internet. Com linguagem informal e bom humor, Jubilut já arrebatou mais de 1 milhão de inscritos em seu canal. Viaja o mundo inteiro para gravar vídeos explicando conceitos da biologia na prática. Em 2013, criou sua empresa, a Biologia Total, que vende pacotes de videoaulas sobre todas as áreas da biologia. Há conteúdo para ensino médio, específico para preparação de vestibulares e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), além de ensino superior. O site também disponibiliza aulas de física e química, outros campos das ciências da natureza, que não são ministradas por Jubilut.

Ele não fala em números ou faturamento por conta da concorrência, mas diz que são milhares de assinantes, os “jubialunos.” Já são 32 pessoas trabalhando na empresa. Jubilut ainda dá aulas, mas hoje está mais focado em montar o que chama de “aulas conceito.”

“No ano passado fui para a África gravar aulas, falei de predação com vídeo mostrando o leão atrás, e herbivoria com girafas ao fundo. Nesse ano fomos para a Ásia e falamos sobre o uma espécie em extinção do orangotango.”

 

Saudade da sala de aula?

Foram 12 anos lecionando em escolas formais da redes pública e privada, os últimos focados em cursinhos pré-vestibular.

“Não sinto falta de dar aulas 40, 50 aulas por semanas. Falamos muito em formação de professor. Mas como melhorar se o professor dá 50 aulas por semana? O professor tem o texto decorado, sem tempo para se aprimorar.”

 

Para matar a saudade do contato direto com o alunos, um dos lados bons da profissão, segundo ele, Jubilut planeja receber na sede da empresa, em Florianópolis, turmas de até 20 estudantes para o que batizou de sala de aula do futuro. Um quadro digital estará conectado com os notebooks dos alunos. Os escolhidos estarão entre os assinantes dos cursos do seu site. Neste projeto, o objetivo também é treinar professores.

“Não usamos quadro e giz e temos dificuldade de encontrar professores, eles não estão preparados. A tecnologia não é a solução, mas pode ajudar a tornar o aprendizado do aluno mais rápido. Mas nada substitui o excelente professor, que sabe contar uma história.”

Com a empresa consolidada, Jubilut pretende seguir para Universidade Stanford, nos Estados Unidos, para um mestrado em educação e tecnologia.

 

 

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