Dez anos depois, morte de menina em pia batismal de Joinville ainda não foi esclarecida - Radio Tropical FM 99.1
(49) 3537.0980
Telefone
(49) 99104.0013
Celular SMS / WhatsApp
Acompanhe
nas redes sociais
Concorra a prêmios! Seja o primeiro
a saber dos sorteios e promoções.

Joinville Dez anos depois, morte de menina em pia batismal de Joinville ainda não foi esclarecida

Dez anos depois, morte de menina em pia batismal de Joinville ainda não foi esclarecida

Homem que confessou o crime na época, e depois voltou atrás, agora pede indenização de R$ 8 milhões ao estado por ter ficado mais de 3 anos preso.

Dez anos após uma menina de 1 ano e meio ter sido achada morta em uma pia batismal de uma igreja em Joinville, a defesa do homem que chegou a ficar mais de três anos preso pelo crime pede ao estado uma indenização de R$ 8 milhões. O recurso não tem data para ser julgado. O processo foi anulado por falhas na investigação, e as circunstâncias da morte de Gabrielli Cristina Eicholz nunca foram esclarecidas.

Gabrielli foi deixada pela família em uma sala com monitores e outras crianças enquanto parentes participavam de um culto. Quando voltaram para buscá-la, a menina havia desaparecido. Minutos depois, ela foi encontrada morta na pia batismal.

Um laudo apontou que a menina foi violentada sexualmente e estrangulada. O pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário foi preso poucos dias depois da morte de Gabrielli. Segundo a polícia, quando foi preso, ele confessou ter violentado e matado a criança. Ele também participou da reconstituição do crime. Duas semanas depois, porém, ele voltou atrás e negou tudo (veja vídeo acima).

Júri popular

Em agosto de 2008 , Rosário foi condenado pelo Tribunal do Júri a 20 anos de prisão na Penitenciária Industrial de Joinville, em regime fechado. Durante o julgamento, Rosário negou que estivesse na igreja e disse que estava na casa dos tios. Ele disse que saiu por pouco tempo para fazer uma ligação para familiares. 

O acusado ainda disse que foi ameaçado por policiais para confessar o crime e que chegou a ser agredido após fazer o exame de corpo de delito. Três anos depois, o Tribunal de Justiça anulou o processo por ter encontrado irregularidades nas investigações. Rosário foi libertado e o processo, arquivado.

Versões do MP e da defesa

"Ninguém disse que não foi ele", diz o promotor de Justiça Giovani Tramontin. "O que se está dizendo é que não se tem mais provas para sustentar a acusação. Ele não foi absolvido". O abuso e a morte foram fundamentados na confissão de Rosário à polícia, na reconstituição, nos antecedentes criminais, que indicavam outras tentativas de abuso, e nos laudos do Instituto Médico Legal (IML).

A defesa desde o início contesta a investigação da polícia. "Fomos buscar uma segunda opinião. E no laudo e nas explicações, de maneira nenhuma aconteceu a esganadura ou o abuso sexual. Tanto que ela tinha água no pulmão. A morte dela foi por afogamento", sustenta a advogada Elizângela Asquel Loch, que defende Rosário.

Além do segundo laudo, os advogados conseguiram registros telefênicos de um orelhão distante dois quilômetros da igreja. O relatório indicava ligações para o celular da irmã de Rosário, praticamente no mesmo horário da morte de Gabrielli.

A anulação do processo pelo Tribunal de Justiça também levou em consideração a falta de mandado de prisão e uma possível confissão coagida. "O Oscar novamente pediu por um advogado. O delegado disse que não, que ele não precisa de advogado, que &39;o advogado vai ser chamado e nomeado por nós&39;. &39;Nós&39;, o delegado", disse Elizângela.

O Ministério Público contesta essa tese. "Estava muito claro que ele [Rosário não foi agredido, porque foi filmado o interrogatório dele. Tem um vídeo de aproximadamente uma hora em que ele confessava tudo com riqueza de detalhes", disse o promotor.

O delegado regional da época não quis falar sobre caso.

 

Justiça determinou indenização

No ano passado, a Justiça condenou o estado a ressarcir o pedreiro em R$ 40 mil, mas os advogados pedem agora R$ 8 milhões. "Primeiro eu pergunto: quanto vale um dia de liberdade da sua vida? Ainda mais você sabendo que é inocente. Você sabendo que está lá por algo que não cometeu. Por um crime horrendo da forma como ele foi acusado. Todo mundo num primeiro momento queria matá-lo", diz a advogada de Rosário.

 

Silêncio sobre o caso

Solto em 2010, Oscar Gonçalves do Rosário tenta reconstruir a vida na cidade-natal, Canoinhas, ao lado da mulher e do filho pequeno. "Essas coisas não gosto de ficar falando. De lembrar, vira até raiva", disse ele à reportagem.

Depois de fazer um acordo com a igreja após alegar negligência com a menina, os pais de Gabrielli também não querem mais falar sobre o assunto. 

Veja as mais acessadas