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Curiosidade Cães acompanharam humanos em travessia do estreito de Bering, segundo estudo

Cães acompanharam humanos em travessia do estreito de Bering, segundo estudo

Pesquisadores usaram sequenciamentos genéticos de 161 raças de cães. Descoberta poderá ajudar pesquisadores a identificar os genes que predispõem a doenças em cães e em pessoas.

Os cães viajaram com os humanos através da ponte de terra que, na Antiguidade, fechava o estreito de Bering, que liga a Ásia em seu extremo nordeste com a América em seu extremo noroeste, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (25) pela revista "Cell Reports".

A pesquisa, financiada pelos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos (NIH), utilizou sequenciamentos de genes de 161 raças modernas de cães para construir uma árvore evolutiva dessa espécie e desvendar os detalhes migratórios do animal.

O mapa de raças de cães, que é o mais extenso já feito, revelou que os cães viajaram com os seres humanos através da Beringia, como é chamado o território que fechava o atual estreito de Bering unindo os continentes. A descoberta poderá ajudar pesquisadores a identificar os genes que predispõem a doenças em cães e em pessoas.

Muitas doenças acometem tanto cães quanto humanos, como diabetes, epilepsia e câncer. A prevalência dessas doenças varia muito de acordo com a raça dos cães, o que facilita identificar variantes genéticas possivelmente relacionadas a um aumento de risco para determinada doença.

 

Origem das raças

Segundo a teoria mais aceita, o ser humano migrou da Ásia às Américas através dessa ponte, formada durante uma glaciação, um congelamento do mar e um nível mais baixo do que o normal das águas.

"Primeiro, houve seleção na tipologia (de cães), como cães pastores ou de caça, e depois houve uma mistura para obter certos traços físicos", afirmou a coautora do estudo e genetista do NIH, Heidi Parker.

O estudo destacou que as raças mais populares agora nas Américas são de ascendência europeia, embora algumas do centro e do sul do continente, como o cão peruano sem pelo e o xoloitzcuintle (pelado mexicano) provêm de uma antiga subespécie canina que migrou pelo estreito de Bering com os antepassados dos indígenas americanos.

Esta descoberta marcou a primeira evidência viva desses animais nas raças modernas. Anteriormente, a prova era unicamente arqueológica.

Enquanto cães de caça como golden retriever e setter irlandês têm origens na Inglaterra da época vitoriana (século XVIII), as raças do Oriente Médio, como o saluki, e da Ásia, como o chow chow e o akita inu, surgiram muito antes.

Os de caça, no entanto, registraram uma diversidade "surpreendente", já que não provinham só do Reino Unido, mas também do norte e do sul da Europa. "Os cães de caça foram desenvolvidos a partir de mais de uma origem, em vários lugares e provavelmente em épocas diferentes", explicou Elaine Ostrander, também coautora do estudo.

Graças a estes novos dados revelados pelo estudo, de acordo com ela, abriu-se a possibilidade de evoluir no mapeamento das variantes genéticas das doenças.

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